Estabelecer um procedimento é apenas uma parte do trabalho na indústria. Afinal, é preciso garantir que ele seja compreendido, executado corretamente e registrado. Quando falamos em Boas Práticas de Fabricação (BPF), essa consistência se torna ainda mais importante, já que diferentes etapas da operação devem seguir critérios definidos para assegurar condições adequadas de produção.

Na nutrição animal, por exemplo, as BPF abrangem procedimentos higiênicos, sanitários e operacionais aplicados ao longo do fluxo produtivo, desde a obtenção dos ingredientes e matérias-primas até a distribuição dos produtos acabados. No Brasil, esses requisitos são estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

Isso significa que as boas práticas estão presentes em diferentes momentos da rotina industrial: recebimento e armazenamento de matérias-primas, higienização, prevenção de contaminação cruzada, produção, documentação, registros e rastreabilidade são alguns deles.

O desafio está justamente em fazer com que aquilo que foi estabelecido nos procedimentos faça parte da execução todos os dias.

O que são Boas Práticas de Fabricação?

As Boas Práticas de Fabricação são um conjunto de procedimentos e controles adotados para assegurar condições adequadas durante a fabricação de produtos.

No segmento de nutrição animal, a Instrução Normativa nº 4/2007 do MAPA estabelece o regulamento técnico sobre as condições higiênico-sanitárias e as BPF para estabelecimentos fabricantes e fracionadores. A norma contempla desde instalações, equipamentos e higiene até armazenamento, prevenção de contaminação cruzada, controle do processo produtivo, documentação e registros.

Outro elemento importante é o Manual de Boas Práticas de Fabricação, que documenta os procedimentos adotados pelo estabelecimento. A regulamentação também prevê Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) para atividades específicas.

Esses documentos criam referências para a execução, porém, a conformidade depende da aplicação contínua do que foi definido. E é aqui que surge um dos principais desafios das BPF: reduzir a distância entre o procedimento documentado e aquilo que realmente acontece no chão de fábrica.

Padronização é essencial para levar as Boas Práticas de Fabricação à rotina

Uma mesma atividade pode ser realizada centenas de vezes ao longo de um mês, por profissionais e turnos diferentes. Mas se cada execução seguir critérios distintos, o processo começa a acumular variações. Por isso, a padronização é um dos pilares para manter as boas práticas presentes na rotina.

Procedimentos claros estabelecem como determinada atividade deve ser realizada, quais critérios precisam ser atendidos e quais informações devem ser registradas. Assim, a execução fica menos dependente de decisões individuais.

Imagine, por exemplo, uma matéria-prima que precisa passar por determinadas verificações antes de ser utilizada. Se essas conferências não estiverem incorporadas ao fluxo, existe maior dependência da memória e da atenção do operador.

O mesmo vale para atividades como pesagem, adição de ingredientes, limpeza, movimentação de materiais e liberação de equipamentos. Quanto mais estruturada for a execução, maior será a capacidade de manter consistência entre diferentes lotes, turnos e períodos de produção.

O controle das matérias-primas começa antes da fabricação

Quando pensamos em BPF, é natural associá-las ao momento em que a produção está acontecendo. Entretanto, os controles começam antes disso.

As matérias-primas precisam ser recebidas, identificadas e armazenadas de acordo com os procedimentos definidos pela indústria. Durante sua permanência no estoque, também podem passar por transferências, bloqueios, liberações ou segregações.

Por essa razão, é importante saber não apenas quanto existe de determinado ingrediente, mas também qual material está disponível, de qual lote ele faz parte, onde está armazenado e qual é sua situação.

O controle de validade também merece atenção. Em operações que trabalham com diferentes lotes de uma mesma matéria-prima, critérios para utilização dos materiais ajudam a organizar o consumo e reduzir a possibilidade de produtos permanecerem armazenados além do período adequado.

Essa organização cria uma base mais consistente para as etapas seguintes, pois a confiabilidade do processo produtivo também depende da confiabilidade das matérias-primas que chegam até ele.

Prevenção da contaminação cruzada exige controle do fluxo produtivo

Outro ponto relevante das Boas Práticas de Fabricação é a prevenção da contaminação cruzada. Em uma fábrica que produz diferentes formulações, determinados ingredientes ou princípios ativos podem exigir cuidados específicos. 

Então, a sequência das produções, a limpeza dos equipamentos e a movimentação dos materiais precisam considerar essas características. Isso torna o planejamento da produção mais complexo do que simplesmente definir qual ordem será executada primeiro, não é verdade?

Considere que um produto contenha determinado componente que não pode deixar resíduos para a formulação seguinte. Nesse caso, conhecer as incompatibilidades existentes e estabelecer critérios para a sequência produtiva é fundamental.

A prevenção depende, portanto, de regras conhecidas e aplicadas durante a operação. Quanto maior a variedade de produtos e matérias-primas processados pela fábrica, mais importante se torna ter visibilidade sobre essas relações e garantir que as condições estabelecidas sejam respeitadas.

Rastreabilidade ajuda a reconstruir o histórico da produção

Se uma inconsistência for identificada em determinado produto, a indústria precisa ser capaz de voltar no tempo e entender o que aconteceu: quais matérias-primas foram utilizadas? De quais lotes elas vieram? Quando a produção ocorreu? Por quais etapas os materiais passaram? Onde determinado lote foi utilizado?

É essa capacidade de reconstruir o percurso dos materiais que torna a rastreabilidade tão relevante para as Boas Práticas de Fabricação. Para isso, as informações precisam acompanhar cada etapa: o lote identificado no recebimento deve permanecer vinculado ao material durante a armazenagem, as transferências, a separação, a pesagem e, por fim, o consumo na produção. 

Quando esses registros permanecem relacionados, investigar uma ocorrência se torna mais ágil e confiável. Isso também contribui para auditorias e verificações, pois reduz a necessidade de reunir posteriormente informações dispersas em diferentes documentos, controles ou planilhas.

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Registros são parte importante das Boas Práticas de Fabricação

Uma atividade realizada corretamente, mas sem o registro exigido, pode criar uma lacuna no histórico da operação. É por essa razão que documentação e registros têm um papel importante nas BPF. Eles permitem demonstrar que determinadas atividades foram executadas e consultar posteriormente as informações relacionadas ao processo.

O desafio aparece quando a rotina depende de uma grande quantidade de formulários, anotações ou controles preenchidos manualmente. Além do tempo necessário para registrar as informações, podem surgir campos incompletos, diferenças de preenchimento ou dificuldades para localizar posteriormente um dado específico.

A digitalização desses registros pode tornar o processo mais estruturado, principalmente quando as informações são inseridas ou capturadas no momento em que a atividade acontece. Dessa maneira, o registro deixa de ser apenas uma tarefa posterior à execução e passa a acompanhar o próprio fluxo operacional.

Dados também podem apoiar a melhoria contínua das Boas Práticas de Fabricação

Os registros relacionados às boas práticas não precisam ser utilizados somente quando ocorre uma auditoria ou fiscalização. Quando organizados e analisados ao longo do tempo, eles também ajudam a identificar comportamentos recorrentes: uma determinada ocorrência está se repetindo? Existe uma etapa que concentra maior quantidade de desvios? Determinado procedimento apresenta dificuldades de execução? Há diferenças relevantes entre períodos ou linhas?

Essas perguntas ajudam a transformar os registros em informações para a gestão. A partir delas, a empresa pode investigar causas, revisar procedimentos, orientar equipes e acompanhar se as ações implementadas produziram os resultados esperados.

Assim, as BPF também podem fazer parte de um processo contínuo de avaliação e aperfeiçoamento da operação.

Qual é o papel da tecnologia nas Boas Práticas de Fabricação?

À medida que a operação cresce, manter controles exclusivamente manuais pode dificultar a gestão das informações geradas diariamente. Nesse sentido, a tecnologia pode contribuir ao digitalizar procedimentos, estruturar registros, realizar validações e conectar dados de diferentes etapas da produção.

Isso não significa substituir as responsabilidades da indústria, o Manual de BPF ou os demais requisitos regulatórios. O papel da tecnologia é apoiar a execução e ampliar a capacidade de controle sobre aquilo que acontece na operação.

Ou seja, em vez de consultar diferentes fontes para reconstruir determinado processo, por exemplo, informações de matérias-primas, movimentações, pesagens, consumos e produção podem permanecer relacionadas. Da mesma maneira, regras estabelecidas para determinadas atividades podem ser incorporadas aos fluxos operacionais, criando pontos de validação durante a execução.

O resultado é uma operação na qual procedimentos e registros ficam mais próximos da realidade do chão de fábrica.

Como o Nexxus MES apoia os controles de BPF?

É nesse contexto que o Nexxus MES atua, conectando a execução da produção aos controles e registros que fazem parte da rotina industrial.

A solução reúne recursos que apoiam as Boas Práticas de Fabricação em diferentes etapas da operação. Controle de matérias-primas, rastreabilidade, pesagem assistida, gerenciamento de produtos ensacados, registro das movimentações e matriz de contaminação são alguns exemplos de como a tecnologia pode contribuir para processos mais padronizados e informações mais confiáveis.

E essa aplicação já faz parte da rotina de indústrias do setor, como a Netto Alimentos, de Diamantino (MT). A empresa realizou um upgrade de automação industrial com o Nexxus MES em sua fábrica de rações, ampliando o controle produtivo, a rastreabilidade e o monitoramento das informações operacionais.

Em conformidade com as Boas Práticas de Fabricação, o sistema assegura padronização, qualidade e segurança alimentar, contribuindo para uma operação mais robusta e confiável, sustentada por informações consistentes para apoiar a tomada de decisão.

Na Camera Nutrição Animal, de Santo Cristo/RS, o Nexxus MES está integrado ao ERP corporativo, conectando informações da gestão à operação. Com foco nas BPF, a solução fortalece a padronização dos processos, a conformidade regulatória e a gestão dos dados produtivos, contribuindo para uma operação mais segura, eficiente e preparada para decisões ágeis e fundamentadas em dados.

Na prática, são diferentes recursos trabalhando de forma integrada para que as informações acompanhem a produção desde a entrada das matérias-primas até o produto final. Assim, fica mais fácil consultar o histórico dos processos, manter os registros organizados e ter maior visibilidade sobre o que acontece no chão de fábrica.

Quer saber como aplicar esse nível de controle na sua indústria também? Converse com a nossa equipe e descubra como o Nexxus MES pode apoiar as Boas Práticas de Fabricação e ampliar o controle sobre cada etapa da sua produção!

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Perguntas frequentes

O que são Boas Práticas de Fabricação?

São procedimentos higiênicos, sanitários e operacionais adotados para manter condições adequadas durante a fabricação, abrangendo diferentes etapas do processo produtivo.

Qual é a relação entre BPF e rastreabilidade?

A rastreabilidade permite recuperar informações sobre materiais e processos, contribuindo para investigar ocorrências, reconstruir o histórico da produção e disponibilizar registros para verificações.

Como a tecnologia pode apoiar as Boas Práticas de Fabricação?

A tecnologia pode digitalizar registros, orientar atividades, criar validações e conectar informações das diferentes etapas, contribuindo para maior padronização e controle dos processos.

Um sistema MES substitui o Manual de BPF?

Não. O sistema pode apoiar a execução, o controle e os registros relacionados às BPF, mas não substitui o Manual de Boas Práticas nem as demais responsabilidades e exigências aplicáveis à indústria.