O double check na produção ajuda a conferir se o ingrediente preparado para uma ordem está chegando ao ponto de adição previsto. Esse cuidado complementa a pesagem, pois uma quantidade correta ainda pode ser encaminhada para a produção errada. 

Imagine uma fábrica de nutrição animal com diferentes formulações programadas para o turno. Na sala de fracionamento, os ingredientes são separados e pesados. Depois, seguem para a linha, onde serão adicionados ao processo. Durante esse percurso, a equipe precisa manter a identificação de cada material e sua relação com a produção à qual ele se destina.

Se duas porções forem trocadas, o peso registrado na balança pode continuar certo. O problema estará no destino. É por isso que conferir a dosagem e validar a adição são cuidados que se complementam.

Neste artigo, você vai entender o papel dessa segunda conferência, conhecer situações em que ela faz diferença e descobrir como o Nexxus MES conecta esse controle à rotina industrial.

O que é double check na produção?

No contexto da pesagem assistida, o double check na produção é uma nova validação realizada no ponto de adição do ingrediente. Seu objetivo é verificar se o material está seguindo o fluxo previsto antes de ser consumido. 

Essa conferência ocorre em um momento diferente da pesagem. Durante o fracionamento, a atenção está no ingrediente selecionado e na quantidade preparada. No ponto de adição, o controle também precisa considerar seu destino.

Para visualizar a diferença, pense em duas perguntas: a porção foi preparada corretamente? E ela está sendo adicionada à produção para a qual foi preparada? A primeira resposta não resolve automaticamente a segunda.

Por exemplo, duas ordens podem utilizar o mesmo ingrediente em quantidades diferentes. Então, reconhecer o nome da matéria-prima não basta para distinguir as porções. É preciso preservar a relação entre o que foi preparado e a ordem que receberá aquele material.

O termo também merece atenção: neste artigo, double check se refere à validação apoiada pelo sistema no ponto de adição. A participação de um ou mais profissionais deve seguir o procedimento estabelecido pela indústria.

Por que a experiência da equipe precisa ser acompanhada de controles?

É verdade que profissionais experientes conhecem os ingredientes e a sequência das atividades. Ainda assim, uma interrupção, uma troca de turno ou uma mudança de programação pode criar uma situação diferente daquela que estavam acompanhando.

A Health and Safety Executive (HSE), órgão britânico de saúde e segurança do trabalho, destaca que pessoas treinadas também estão sujeitas a enganos e esquecimentos. Com base nisso, suas orientações sobre fatores humanos recomendam analisar condições como distração, pressão de tempo, comunicação e desenho da tarefa ao organizar os controles. 

Aplicando essa perspectiva à adição de ingredientes, vale observar como o trabalho acontece. O operador consegue consultar a ordem sem se afastar da atividade? Os materiais que aguardam uso estão separados dos já consumidos? Uma interrupção deixa claro de onde a tarefa deve ser retomada?

Essas perguntas ajudam a criar uma rotina em que a conferência seja compreendida e executável. Aqui, a participação da equipe é importante para identificar dificuldades que podem não aparecer no procedimento escrito.

Em quais situações essa conferência faz diferença?

Alguns exemplos da rotina de uma fábrica ajudam a entender sua aplicação. Veja:

1 – Porções de diferentes ordens próximas umas das outras

Uma equipe prepara ingredientes para duas ordens de produção. Os recipientes ficam próximos durante a organização do abastecimento, mas cada um tem um destino específico.

Se o operador selecionar a porção da ordem seguinte, a aparência do recipiente pode não ajudar a perceber a troca. Portanto, a conferência precisa se apoiar em uma identificação que permita relacionar o material à operação prevista.

2 – Mudança na programação durante o turno

Uma ordem precisa ser adiada depois que seus ingredientes já foram preparados. Enquanto a equipe reorganiza a sequência, os materiais continuam disponíveis na área.

Nesse caso, a pergunta é simples: todos sabem quais porções devem aguardar e quais podem seguir para a produção? O procedimento precisa orientar essa separação e a conferência antes do uso.

3 – Transferência da atividade entre profissionais

Quem pesa pode não ser a mesma pessoa que transporta ou adiciona o ingrediente. E a cada transferência, as informações precisam continuar acompanhando o material.

Uma orientação verbal, sozinha, pode deixar dúvidas sobre a ordem, a quantidade ou o destino. Já uma identificação consultável ajuda o próximo profissional a verificar o que recebeu.

Esses exemplos mostram por que o controle deve considerar o percurso entre o preparo e a adição, incluindo momentos de espera e mudanças na rotina.

Como organizar a conferência no ponto de adição?

O desenho desse controle depende dos equipamentos, dos materiais e dos procedimentos da indústria. Para avaliar a rotina, uma sequência de questões pode auxiliar:

  • Como o material é identificado após a pesagem? A identificação precisa continuar relacionada à porção preparada, inclusive durante o transporte.
  • Qual produção está sendo executada? A equipe deve ter uma referência clara da operação que receberá o ingrediente.
  • O material apresentado corresponde ao previsto? A conferência deve comparar sua identificação com as informações da produção.
  • O que acontece se houver uma divergência? O procedimento precisa definir quem será acionado e como a situação será avaliada antes de continuar.
  • Como a adição realizada será registrada? O histórico deve acompanhar o consumo efetivo, conforme o fluxo adotado pela fábrica.

Essas perguntas também ajudam a encontrar lacunas. Por exemplo: a fábrica pode identificar bem os recipientes, mas não ter uma orientação clara para as porções que precisam aguardar em razão de uma mudança na programação.

Dessa forma, é preciso observar a atividade junto com os operadores, a fim de compreender onde surgem dúvidas e definir conferências compatíveis com o trabalho realizado.

A identificação precisa acompanhar o material físico

Ao desenhar o fluxo, é válido avaliar como a identificação será mantida depois do fracionamento, pois uma etiqueta correta perde sua utilidade se for separada do recipiente, trocada entre porções ou usada para representar um material diferente daquele apresentado.

O procedimento deve considerar situações como transferência para outro recipiente, divisão de uma porção e retorno de material que não foi utilizado. Para cada uma, a equipe precisa saber como preservar a identificação e evitar dúvidas sobre o destino.

Também é importante relacionar a conferência ao momento da adição. Se o material for validado e ficar aguardando enquanto outras atividades acontecem, o fluxo precisa manter claro qual porção foi conferida e qual será efetivamente utilizada.

Por isso, o recomendado é testar o processo com situações comuns do turno, incluindo interrupções e retomadas, com o objetivo de verificar se o registro continua correspondendo ao material que chega à produção.

O que fazer quando o double check identifica uma divergência?

Uma conferência precisa vir acompanhada de uma orientação sobre como agir. Caso contrário, o operador pode reconhecer a inconsistência, mas não saber a quem recorrer ou o que deve acontecer com o material.

Pense em uma situação hipotética: a porção apresentada foi preparada para uma ordem que acabou sendo adiada. Diante disso, a equipe precisa confirmar essa informação, identificar o destino correto e manter o material separado enquanto a ocorrência é avaliada. 

As decisões devem seguir o procedimento da fábrica e as responsabilidades definidas para produção e qualidade. Para organizar essa resposta, algumas perguntas ajudam:

  • Qual informação apresenta divergência: identificação, ordem, destino ou registro do preparo?
  • O material ainda aguarda adição ou já foi utilizado?
  • Quem pode avaliar a ocorrência e orientar a continuidade?
  • Como registrar a decisão e o destino dado à porção?

A diferença entre identificar o problema antes e depois da adição é relevante para a investigação: se o consumo já aconteceu, a análise precisa considerar a produção envolvida e seus registros; se ainda não ocorreu, há oportunidade de esclarecer a divergência antes de utilizar o material.

A equipe precisa conhecer esse fluxo de resposta e saber como agir quando encontrar etiquetas ilegíveis ou informações incompletas. Assim, as dúvidas podem ser resolvidas seguindo orientações claras, sem depender de decisões improvisadas. 

[infográfico] Cada movimentação sob controle: do armazém à produção com o Nexxus MES
Cada movimentação sob controle: do armazém à produção com o Nexxus MES

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Qual é a relação com a qualidade e as BPF?

As Boas Práticas de Fabricação (BPF) envolvem a execução dos procedimentos e os registros que demonstram o que aconteceu. Identificação de matérias-primas, padronização das atividades e controle do processo fazem parte desse acompanhamento. 

Nesse contexto, o double check pode apoiar os cuidados previstos para a adição de ingredientes. Para isso, a indústria precisa definir o que será conferido, em qual momento e como os profissionais devem agir diante de uma inconsistência.

Quando uma divergência é identificada, os dados da produção ajudam a analisar a ocorrência e os materiais envolvidos. Conforme a operação, o sistema MES pode reunir informações sobre verificações, parâmetros e desvios, apoiando a investigação. 

O registro permite avaliar ainda a rotina ao longo do tempo. Se uma situação se repete, a equipe pode investigar a organização da área, a identificação dos recipientes ou a necessidade de ajustar o procedimento.

Como a identificação contribui para a rastreabilidade?

Para rastrear uma produção, é necessário manter a relação entre os ingredientes utilizados e o produto resultante. Na adição de ingredientes, isso significa preservar o vínculo entre o material identificado e a produção em que ele foi consumido. Os dados necessários devem ser definidos conforme o processo e os objetivos de rastreabilidade da indústria.

Uma pergunta útil para avaliar o controle é: se houver uma ocorrência amanhã, a equipe conseguirá localizar os registros relacionados à adição de hoje? A resposta ajuda a verificar se as informações disponíveis são suficientes para reconstruir o histórico.

Como avaliar se a conferência está funcionando bem?

A avaliação pode começar pelo acompanhamento de uma ordem, desde o fracionamento até a adição. Durante essa observação, registre onde os materiais aguardam, como são identificados e quais informações o operador consulta para continuar a atividade.

Depois, compare o procedimento previsto com a execução. Uma etapa é realizada antecipadamente? A equipe precisa anotar informações em um controle paralelo? Existem dúvidas recorrentes sobre porções de ordens diferentes? Essas situações ajudam a definir o que precisa ser ajustado.

Os registros de ocorrências também podem orientar a análise. De acordo com os dados disponíveis, a indústria pode acompanhar divergências detectadas antes da adição, retrabalhos relacionados a trocas de materiais e dificuldades para reconstruir o consumo de uma ordem.

Ao interpretar esses números, considere o contexto. Um aumento nas divergências registradas após a implantação de um controle pode indicar que situações antes desconhecidas passaram a ser identificadas. Já a ausência de registros precisa ser analisada junto com a observação da rotina.

Para verificar os ajustes, acompanhe novamente as mesmas etapas e converse com os profissionais envolvidos. Dessa maneira, a avaliação relaciona os dados ao trabalho realizado e ajuda a manter o controle adequado à operação.

Como o Nexxus MES apoia esse controle?

O Nexxus MES oferece pesagem assistida para o fracionamento de microingredientes e medicamentosos. Para complementar esse controle, o sistema realiza o double check no ponto de adição do misturador, ajudando a conferir se o material preparado está sendo destinado à produção correta.

A solução também conecta informações de formulações, ordens de produção, movimentações e consumo. E, integrado ao ERP, o sistema recebe receitas e parâmetros junto com as ordens e retorna as quantidades reais produzidas e consumidas.

Com essas informações conectadas, a indústria consegue acompanhar o caminho dos ingredientes e manter os registros de pesagem e consumo relacionados à produção.

E então, sua fábrica consegue conferir se cada ingrediente está sendo adicionado à produção correta? Converse com nossos especialistas e descubra como o Nexxus MES é capaz de conectar pesagem, adição e rastreabilidade na sua operação!

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Perguntas frequentes

O que é double check na produção?

No contexto da pesagem assistida, é uma nova conferência realizada no ponto de adição para verificar se o ingrediente segue o fluxo previsto antes de ser consumido.

Qual é a diferença entre pesagem assistida e double check?

A pesagem assistida orienta e valida a dosagem conforme a formulação. O double check complementa esse controle com uma conferência no ponto de adição.

O Nexxus MES possui double check?

Sim. O Nexxus MES oferece double check no ponto de adição, associado à pesagem assistida de microingredientes e medicamentosos.