Na fiscalização do MAPA na fábrica de ração, o fiscal costuma escolher um lote recente e pedir o caminho dele. O fiscal do MAPA usa o Termo de Fiscalização de Autocontroles para conferir, no local e nos documentos, registro e responsável técnico, instalações, treinamento, controle do processo e cada programa de autocontrole, de fornecedores a rastreabilidade.

Na vida real, a pasta da pesagem está na produção, a da limpeza de linha ficou com o líder do turno da noite, e a ordem de produção tem rasura no horário. Com centenas de registros por mês, juntar as folhas certas toma horas.

Depois da visita, o termo dá 30 dias para a fábrica enviar ao MAPA o plano de ação. O que entra nele depende de registros feitos na rotina, que a semana anterior à visita não reescreve.

Quem fiscaliza a fábrica de ração e com base em quais normas?

A fiscalização da fábrica de ração cabe ao Auditor Fiscal Federal Agropecuário e aos demais cargos de fiscalização agropecuária do MAPA (art. 5º do Decreto nº 12.031/2024). Base normativa em outubro de 2026:

NormaO que define para a fábrica de ração
Decreto nº 12.031/2024Regulamenta a Lei nº 14.515/2022; diz o que a fiscalização abrange e o que a fábrica deve manter
IN MAPA nº 4/2007Regulamento técnico de Boas Práticas de Fabricação
Decreto nº 12.126/2024Liga a frequência das visitas ao risco do estabelecimento
Decreto nº 12.502/2025Rege o processo depois de um auto de infração
Portaria MAPA nº 925/2026Valores de multa de 2026

Entre as isenções de registro do art. 12 do Decreto nº 12.031/2024, a que interessa à fábrica de ração vale só para quem fabrica exclusivamente para os próprios animais, sem comercializar. Pela letra, a cooperativa que fabrica para os cooperados não está isenta.

Os programas de autocontrole do Decreto nº 12.031/2024

Programa de autocontrole é o conjunto de procedimentos que a própria fábrica descreve, implanta, mantém, monitora e verifica (art. 10, XXXI, do Decreto nº 12.031/2024). O art. 40 do mesmo decreto exige programas de autocontrole com registros sistematizados e auditáveis, da recepção da matéria-prima à expedição, e com previsão de recolhimento de lotes.

Na prática, o fiscal confere se a fábrica achou os próprios desvios antes dele.

Onde entra a IN MAPA nº 4/2007

A IN MAPA nº 4/2007 é o regulamento técnico de condições higiênico-sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação (BPF) da fábrica de ração, tema do post sobre boas práticas de fabricação na nutrição animal.

O Decreto nº 12.031/2024 define BPF como condições e procedimentos higiênico-sanitários e operacionais sistematizados, aplicados em todo o fluxo de produção para garantir a inocuidade, a identidade, a qualidade e a segurança dos produtos (art. 10, VIII).

POP (Procedimento Operacional Padrão) é a descrição detalhada e objetiva das instruções e operações de rotina que a fábrica usa para proteger a qualidade e a inocuidade das matérias-primas e do produto final e a segurança de quem manipula. Onde o controle dos POPs da fábrica de ração se perde no papel está em post próprio.

Registro de BPF é a anotação datada e assinada que comprova a execução de uma etapa do POP. O item 8.2 da IN 4/2007 pede registros sem rasura, em ordem cronológica. Na prática das fábricas, corrige-se com um risco simples sobre o valor errado, o certo ao lado, data e rubrica; a IN 4/2007 não descreve a forma.

O roteiro de inspeção com Grupo 1 a 4 ainda vale?

O roteiro de inspeção com pontuação e Grupo 1 a Grupo 4 era o Anexo II da IN 4/2007, revogado pela IN MAPA nº 27/2020 a partir de 4 de maio de 2020. Em outubro de 2026, o roteiro ainda circula na internet.

Se o checklist interno ou da consultoria dá nota de Grupo 1 a 4, troque pelo Módulo I do Termo de Fiscalização de Autocontroles.

O que faz o MAPA visitar mais a sua fábrica de ração?

O MAPA visita mais a fábrica de ração com maior risco estimado. Pelo Decreto nº 12.126/2024, a frequência das verificações segue a mensuração desse risco (art. 25, parágrafo único), obtido pela composição de, no mínimo, estes fatores (art. 24):

Fator, em linguagem de fábricaLetra do art. 24 do Decreto nº 12.126/2024
A unidade em si“características do estabelecimento”
O que sai da linha“características do produto”
Como a fábrica tem cumprido as regras“atendimento ao disposto na legislação aplicável à fiscalização”
A participação no Programa de Incentivo à Conformidadeadesão do agente ao programa e desempenho nele

O fator que a fábrica controla é o cumprimento das regras: na leitura mais direta do Decreto nº 12.126/2024, a não conformidade repetida e o plano de ação não cumprido tendem a pesar contra ela. O peso prático do Programa de Incentivo à Conformidade ainda não está claro em outubro de 2026.

O que o Termo de Fiscalização de Autocontroles verifica?

O Termo de Fiscalização de Autocontroles é o formulário que o fiscal do MAPA preenche ao verificar os programas de autocontrole da fábrica, no local e nos documentos. Desde o Ofício-Circular nº 13/2026, de junho de 2026, o termo tem sete módulos; a tabela é uma leitura dos títulos, porque nenhuma norma localizada diz a quem cada um se aplica.

MóduloTítulo oficialFábrica que o título indica (leitura do título)
ITermo de fiscalização de autocontroles propriamente ditoTodo estabelecimento fiscalizado
IIUso de medicamentos e produtos medicamentososFábrica que produz ou usa ração com medicamento de uso veterinário
IIIRespaldo para certificação oficialFábrica cujo produto precisa de certificação oficial, em geral para exportação
IVAPPCCFábrica com programa APPCC
VFabricação compartilhada para ruminantes e não ruminantes com uso de produtos de origem animal não autorizados para ruminantesFábrica que, na mesma planta, faz ração de ruminantes e usa na de não ruminantes produto de origem animal vedado a ruminantes
VIAdesão ao sistema de produção livre de ractopaminaFábrica que aderiu ao sistema
VIIRegras aplicáveis à alimentação de animais cujos produtos são exportáveis para a União Europeia e o Reino UnidoFábrica que alimenta animais de cadeias voltadas a esses mercados

O Módulo II pesa para quem produz ração com medicamento. O Módulo V não alcança toda fábrica que faz ração de bovinos e de suínos na mesma linha: o título exige produto de origem animal não autorizado para ruminantes.

As obrigações vêm da Lei nº 14.515/2022, do Decreto nº 12.031/2024, que a regulamenta, da IN 4/2007 e, conforme o caso, de normas específicas, como a Portaria SDA nº 798/2023; o termo as espelha e serve de checklist interno.

Blocos do Módulo I do Termo de Fiscalização de Autocontroles, versão de 08/2024 no WikiSDA, com itens marcados C, NC ou NA (no bloco G, SIM ou NÃO); a terceira coluna é sugestão da Nexxus.

Bloco do Módulo IO que o fiscal olhaSugestão: o que ter à mão
A. Documentação e registroRegistro do estabelecimento, responsável técnico, documentaçãoRegistro em dia e documentos atualizados
B. Área externaCondições do entorno da fábricaRegistros de manutenção predial e do controle de pragas na área externa
C. Área internaCondições das instalaçõesRegistros de manutenção predial, de limpeza das áreas e do controle de pragas
D. TreinamentosSe há programa de treinamento em higiene e aspectos higiênico-sanitários e evidência de que ele é eficientePrograma de treinamento, lista de presença com data, conteúdo e função, e a avaliação de eficácia
E. Controle do processo produtivoComo a produção é controladaOrdens de produção, pesagens, registro do teste do misturador
F. Avaliação dos elementos de controleDe F.1 a F.9: fornecedores e matérias-primas (com ingredientes e embalagens), limpeza, higiene do pessoal, água, contaminação cruzada, manutenção e calibração, pragas, resíduos, rastreabilidade e recolhimentoRegistro de execução e de verificação de cada programa
G. Outras constataçõesInformação omitida ou falsa, embaraço à fiscalização, medida cautelar ou apreensão descumprida e, para quem fabrica com medicamento, autorização vigenteAutorização vigente para fabricar com medicamento, quando for o caso
H e IComentários gerais e conclusão do fiscalNada a preparar à parte

O responsável técnico (RT) e o líder de produção conseguem ler o Módulo I numa tarde e marcar onde faltaria registro.

Em quais itens do termo o registro de produção decide?

No Módulo I do Termo de Fiscalização de Autocontroles, o registro de produção decide cinco itens: a rastreabilidade de um lote de produto acabado, a sequência real de produção, a limpeza de linha, a homogeneidade do misturador e o cumprimento dos planos de ação anteriores.

  1. Rastreabilidade de um lote. O teste é o simulado de recolhimento: para trás, até o lote de matéria-prima e o fornecedor; para frente, até o cliente, a granja ou o cooperado. O ponto difícil é a ração a granel, que se mistura no silo da granja com a carga anterior.
  2. Sequência real de produção. O item 6.2.2 da IN 4/2007 manda fixar a sequência de fabricação considerando, entre outros, produtos veterinários e a sensibilidade das espécies. O fiscal confere a ordem real: se uma ração sem medicamento saiu logo depois de uma com medicamento, por exemplo. A conferência do ingrediente no ponto de adição reduz erro de dosagem, sem registrar a sequência.
  3. Limpeza de linha. Quando a limpeza de linha é medida preventiva imprescindível, o fiscal confere se o procedimento foi validado, se é respeitado e se o registro mostra para onde foi o material de limpeza. Na fábrica a seco, o método mais comum é a batida com milho ou farelo (flushing). Para toda fábrica, a IN 4/2007 pede limpeza validada e verificada periodicamente, com o material da limpeza identificado e guardado em local próprio (item 6.2.3); o flushing pelo nome e o destino do material de arraste só aparecem na Portaria SDA nº 798/2023, para ração com medicamento.
  4. Homogeneidade do misturador. A prova é o procedimento do teste de homogeneidade descrito, o laudo e a avaliação do resultado. Na fábrica com medicamento, a Portaria SDA nº 798/2023 inclui o monitoramento da homogeneidade da mistura nas BPF (art. 26), sem fixar frequência para o estabelecimento registrado; o teste anual (art. 50, VI) é exigido do produtor rural do Grupo A de risco. Sem medicamento, nenhuma frequência normativa foi localizada.
  5. Planos de ação anteriores cumpridos. O fiscal pede a evidência de cada medida fechada desde a visita passada.

Com a pesagem assistida, o peso de cada ingrediente fica ligado à ordem de produção. Um simulado de recolhimento por mês, num lote sorteado, toma algumas horas da qualidade e mostra onde a busca trava; o post sobre como organizar os registros de BPF ajuda a montar o arquivo.

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O que preparar para o dia da inspeção do MAPA?

A inspeção do MAPA pode cair num turno sem o RT, então a fábrica decide antes quem recebe o fiscal, quem o acompanha e quem busca os registros. O Decreto nº 12.031/2024 obriga a dar acesso a todas as instalações (art. 39, XV), e embaraçar a ação do fiscal é infração gravíssima (art. 104, V).

O plano de ação só entra pelo SEI do MAPA, por uma pessoa cadastrada como usuário externo, em geral o RT, com uma segunda liberada para as férias. Pela Portaria MAPA nº 456/2022, o cadastro é pessoal, e a intimação se considera feita na consulta ou, sem consulta, 15 dias corridos depois do envio.

O que acontece depois da fiscalização do MAPA na fábrica de ração?

Depois da fiscalização do MAPA na fábrica de ração, a fábrica tem 30 dias para enviar o plano de ação por peticionamento intercorrente no SEI, em todos os casos, e, conforme o achado, pode receber auto de infração, medida cautelar e multa.

Plano de ação em 30 dias

Plano de ação é o documento em que a fábrica responde às não conformidades apontadas no termo, com as ações corretivas e preventivas, os prazos e as não conformidades já solucionadas.

O prazo de 30 dias está no fecho do Módulo I e na Norma Operacional nº 3/2020 do DIPOA, e o Decreto nº 12.031/2024 obriga a fábrica a “atender à intimação e cumprir as exigências regulamentares do serviço oficial nos prazos determinados” (art. 39, XIX).

Prometa só o prazo que a equipe atual consegue cumprir, porque o plano volta na visita seguinte.

Auto de infração, medidas cautelares e multas

O fiscal do MAPA pode vincular ao Termo de Fiscalização de Autocontroles auto de infração ou termo de colheita de amostra, apreensão, intimação ou suspensão. O auto abre o processo, com 20 dias corridos, contados do recebimento, para defesa escrita (Decreto nº 12.502/2025, art. 3º, § 1º, II, e art. 8º).

Medida cautelar é a providência que o fiscal pode aplicar antes ou durante o processo, entre elas a apreensão de produtos e a suspensão temporária, parcial ou total, de atividade, etapa ou processo (art. 92 do Decreto nº 12.031/2024), salvo quando a não conformidade pode ser sanada na própria fiscalização.

Infração ligada ao autocontroleNaturezaArtigo do Decreto nº 12.031/2024
Deixar de garantir a implementação, a manutenção, o monitoramento e a verificação dos programas de autocontroleModeradaart. 102, VIII
Não manter registros sistematizados e auditáveis do processo produtivoGraveart. 103, XIV
Não prever o recolhimento de lotesGraveart. 103, XVII
Embaraçar a ação do fiscalGravíssimaart. 104, V

As multas vêm da Lei nº 14.515/2022, com valores da Portaria MAPA nº 925/2026, e a faixa depende do porte:

PorteComo se enquadra
Microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP)Lei Complementar nº 123/2006
Média empresaClassificação do BNDES
Demais estabelecimentosInclui a empresa que não comprova o porte, ônus que é dela (Decreto nº 12.502/2025, art. 10, §§ 6º e 7º)
CooperativaNão pode ser ME nem EPP (Lei Complementar nº 123/2006, art. 3º, § 4º, VI)

Multas por natureza da infração e porte, Portaria MAPA nº 925/2026, valores de 2026 atualizados pelo INPC (R$, mínimo a máximo)

NaturezaMEEPPMédia empresaDemais estabelecimentos
Leve541,93 a 1.625,811.083,88 a 1.625,811.625,81 a 3.251,631.625,81 a 5.419,37
Moderada1.626,90 a 2.709,681.626,90 a 5.419,373.252,70 a 8.670,995.420,45 a 16.258,11
Grave2.710,77 a 5.419,375.420,45 a 10.839,008.672,07 a 21.677,4716.259,19 a 54.193,68
Gravíssima5.420,41 a 10.838,7410.840,08 a 32.516,2121.679,08 a 54.193,6854.196,09 a 162.581,06

Os valores da Portaria MAPA nº 925/2026 mudam todo ano pelo INPC, e a decisão usa o valor vigente na data em que é emitida.

Como o Nexxus MES apoia a prova do autocontrole?

A Nexxus é uma empresa de automação industrial, painéis elétricos, sistemas e software com foco em nutrição animal, que desenvolve o Nexxus MES. O sistema de execução da produção (MES, do inglês Manufacturing Execution System) é o software que acompanha e registra a produção no chão de fábrica.

Conforme o escopo implantado, o Nexxus MES liga o lote ao que entrou e saiu, registra a dosagem na pesagem assistida e no double check e guarda tempo de mistura e temperatura da peletização de cada batelada, ligada à ordem de produção e ao lote.

Em 2026, a Nexxus também está desenvolvendo um sistema de BPF, produto independente do MES, que a fábrica pode usar sozinho ou integrar ao MES quando precisar. Nele, o POP tem versão e fluxo de aprovação configurável, e o registro leva evidência para uma trilha de auditoria. Os dados ficam com a indústria.

Um MES tem limite claro, e o Nexxus MES também. Procedimento mal escrito continua mal escrito no sistema, e limpeza de linha nunca validada não se valida porque o registro virou digital. Cadastrar procedimentos e treinar cada turno também tomam tempo da qualidade.

Nexxus MES
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Sua fábrica consegue rastrear um lote antes de o fiscal pedir?

A fiscalização do MAPA na fábrica de ração confere a rotina, e os itens decisivos do termo pedem que ordem de produção, pesagem, limpeza de linha e expedição batam entre si. Para a qualidade, o Módulo I vira checklist interno o ano todo.

Se o simulado de recolhimento travou em folhas espalhadas, converse com nossos especialistas e veja como organizar a prova do autocontrole na sua fábrica!

Perguntas frequentes

A IN MAPA nº 4/2007 ainda está em vigor?

A IN MAPA nº 4/2007 segue em vigor em outubro de 2026 como regulamento técnico de BPF para quem fabrica ou fraciona produtos para alimentação animal. A parte que caiu foi o roteiro de inspeção com pontuação por grupos, revogado em 2020 junto com três itens do Anexo I.

De quanto em quanto tempo o MAPA fiscaliza uma fábrica de ração?

O MAPA não tem prazo fixo único para fiscalizar a fábrica de ração. A frequência sai do risco estimado do estabelecimento, que combina estabelecimento, produto, atendimento ao disposto na legislação e participação no Programa de Incentivo à Conformidade (Decreto nº 12.126/2024, art. 24).

O que acontece se o fiscal do MAPA encontrar não conformidade na fábrica de ração?

A fábrica de ração recebe o Termo de Fiscalização de Autocontroles com as não conformidades e tem 30 dias para enviar ao MAPA o plano de ação pelo SEI. Conforme o caso, o fiscal também lavra auto de infração ou termo de apreensão, de intimação ou de suspensão.

Qual é a multa por falha nos registros de BPF?

A falta de registros sistematizados e auditáveis do processo é infração grave (Decreto nº 12.031/2024, art. 103, XIV). Pela Portaria MAPA nº 925/2026, a faixa vai de R$ 8.672,07 a R$ 21.677,47 para média empresa e de R$ 16.259,19 a R$ 54.193,68 para os demais estabelecimentos, com atualização anual.

Normas conferidas em outubro de 2026.